quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Comprando cigarros

Um dia, a mulher de tão cansada de cuidar dos filhos da casa e não ser reconhecida disse que ia à esquina comprar cigarros e desapareceu.

Não é força de expressão ou sentido figurado, ela disse exatamente isto:

- Vou ali na esquina comprar cigarro e já volto.

Ficou dez anos desaparecida.

Há algum tempo, reapareceu. Bateu na porta, o marido foi abrir, e lá estava ela. Dez anos mais velha. Ela estava quieta, sem dizer uma palavra. O marido despejou sua revolta em cima dela:

- Sua isso! Sua aquilo! Então você diz que vai à esquina comprar cigarro e desaparece? Me abandona, abandona as crianças, fica dez anos sem dar notícia, me faz criar as crianças sozinho e ainda tem o desplante, a cara de pau, o acinte, a coragem de reaparecer deste jeito? Pois você vai me pagar. Fique sabendo que você vai ouvir poucas e boas. Essa eu não vou lhe perdoar nunca. Está ouvindo? Nunca! Entre, mas prepare-se para...

Nisso, a mulher deu um tapa na testa, disse:
- PUTZ! Esqueci os fósforos! Já volto!

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